“O sujeito amoroso está cativado pela idealidade do ser amado. Mas, na verdade, ele idealiza o outro antecipando-o em uma posse imaginária na qual receberá todos os atributos de uma perfeição suprema, de uma beleza máxima. A fantasia do outro ajuda a viver a ilusão de que todos os meus vazios interiores estão preenchidos pelo outro, ser exterior, por sua pessoa viva. Então a beleza do amado é toda tecida de projeções, inevitáveis, do meu próprio desejo interior, em seu corpo, exterior. Eu deposito nele, como um véu brumoso de beleza e bondade, todas as fantasias do meu desejo. Assim, quando perdemos apenas o seu amor ou o calor da sua presença. Perco o ser que alimentava, como um princípio que dá coerência, harmonia e equilíbrio, as minhas próprias construções interiores, minhas demandas de prazer, meus sonhos de felicidade e paz na vida. Custamos a perceber que o que perdemos, perdemos dentro de nós, não no mundo”
“Fazer coincidir absolutamente a imagem idealizada, alucinada, interiorizada, do outro, e seu ser em carne e osso, seu ser no mundo à minha frente, é a impossível função do gozo”.
José Luiz Furtado, Amor, p. 43-5.
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